As paredes que me distraiam. - Sem Revisão

lembro das cores
verdes
azuis
amarelas
vieram a tona
com tantas dores
mas talvez elas
não se lembrem de mim
quanto me lembro delas
um lance
um número
uma cor
em meio as paredes
e tetos sem cor
era bom
era melhor
que a sede
que os gritos
agonizantes
e os agitos
do meu peito

pressa
dor
depressa
dor presa
instalada
em meu sistema
que faiscava
como se quisesse
queimar
cada lembrança
explodir minha cabeça
antes que enlouqueça
sem saber onde
armazenar
tanta dor

e se eu for
e se eu fosse
embora
eu não veria quem chora
assim como nunca viram
o meu choro abafado
viram o papel ensopado 
de sangue
mas deixaram fluir
tudo fluiu
como se me empurrassem pro rio

a mangueira no nariz
o ronco no estômago
a frieza dos humanos
que castigam
sem conhecer os danos

por que a Fátima se foi?
por que ela continua aqui?
eu sinto muito
por não ter sentido muito
quando não te respondi
eu sei que está me olhando
como um bebê chorando
há tanto que me lembra de ti

me pergunto quando pude ser
quem eu realmente sou
se nem sei quem quero ser
depois do farelo que restou













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