Viva rápido, morra jovem.
Quando eu me sentir feliz, significará que minha morte está próxima.
Eu acreditava nisso quando criança. Eu também acreditava que se eu criasse uma situação hipotética, ela não aconteceria porque eu imaginei ela acontecendo.
Eu me sentia uma criança esquisita, olhando agora, eu entendo o porquê. A criação que recebi também atrasou minha compreensão sobre o mundo e como ele funciona. Eu era curiosa, e minha família não tinha as respostas para todas as minhas perguntas. Além disso, o abismo criado pela violência me estimulou ainda mais a buscar as respostas sozinha.
É verdade que a alienação pode ser perigosa, as crenças ultrapassadas, a ausência de explicações e até do diálogo... fazem você perder sua perspectiva de futuro, se você não sabe onde está, como pode saber onde vai? E se você não sabe onde vai... qualquer lugar serve.
E sozinha encontrei muitos lugares. Senti a morte se aproximar uma ou duas vezes, mas em nenhuma delas me senti feliz. Contudo, só consigo questionar, o que uma criança interpretou sobre o mundo quando acreditou que morreria se encontrasse a felicidade? O que ela interpretou sobre felicidade? Quem foram suas referências? Eu temo descobrir. Eu temo cada pedaço do meu passado como se ainda houvessem podres a serem descobertos. O que faz uma jovem querer morrer? Eu acreditava que tinha vivido o bastante, que piada! O que faz uma jovem querer viver?