Earthquake - Poesia
sou um prédio
que você vem e tranca
nada entra e nada sai
permaneço entulhado
imóvel e trancado
eu te vejo como luz
bate nos vidros
e volta
eu te via como luz
até voltar
palavras presas
poesia enferrujada
o nó na garganta
vira vazio no peito
o chão é frio
e o chão é leito
nem a força da raiva
abriria a porta depressa
nem o sol vespertino
iluminiaria para que aqueça
o chão que me arrasto
para fugir do terremoto