Armaduras
Armaduras te protegem, mas são pesadas, não se pode carregar por muito tempo. Cansa. Eu não posso carregar por muito tempo.
Hoje me peguei pensando na morte, às vezes sinto que vivo esperando por ela, sem muita perspectiva em relação ao futuro, como se ela fosse me arrastar a qualquer momento, porque, na verdade, ela pode, e eu temo, temo não viver o suficiente, temo não ser o suficiente, temo tanto que prefiro não viver, não ser, não sonhar, não realizar.
Vejo as pessoas partindo e sinto tanto por elas, justo elas que não sentem, elas que estão simplesmente livres das angustias da vida, e eu sinto por elas a falta da vida, do vento soprando no meu rosto quando corro ou pedalo, talvez seja minha sensação favorita: o vento. E esse vento frio do inverno que está vindo tem me trazido lembranças. Fecho os olhos, respiro fundo e logo vejo anos e anos atrás quando fiz isso em outro tempo e senti a vida em meus pulmões.
Lembrar que estou viva, lembrar que estarei morta, me faz querer compartilhar cada pedaço de vida que tenho, que sinto, Eu conheci a tristeza, a depressão, o vazio, e quando os conheci, a empatia cresceu dentro de mim, porque eu não quero que sintam o que senti, me angustia assistir e não poder fazer.
Também tenho pensado no que resta quando partimos, no porquê nos apegamos tanto se tudo se apaga, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde. Quero dizer, cada peculiaridade, cada atitude sua, só terá sentido enquanto houver vida, no pequeno universo de nossas cabeças. Vivemos e morremos, e sinceramente, nunca me senti superior a outros animais, que são partes tão pequenas quanto eu de algo gigantesco. Eu só gostaria de aproveitar o vento por muito tempo, dizer que sinto, porque sentir me faz viva.